DO LIVRO ESTÁTICO À INTELIGÊNCIA DIALÉTICA: A INTELIGÊNCIAARTIFICIAL COMO FERRAMENTA DE PLURALIDADE E AUTONOMIA NO ENSINO BRASILEIRO
DOI:
https://doi.org/10.69807/2966-0785.2026.301Palavras-chave:
Inteligência Artificial, Educação, Autonomia, Ensino, Inovação PedagógicaResumo
O presente artigo analisa criticamente a transição paradigmática do ensino tradicional, centrado no livro didático, para um modelo mediado pela Inteligência Artificial (IA), compreendida como instrumento de pluralidade cognitiva e autonomia intelectual. Parte-se da premissa de que os materiais didáticos convencionais, embora historicamente relevantes, apresentam limitações estruturais no que tange à atualização, à diversidade epistemológica e ao estímulo à criticidade discente. Nesse contexto, sustenta-se que “a verdadeira autonomia não nasce da página que o aluno lê, mas da pergunta que ele aprende a formular para a máquina”, deslocando o foco da aprendizagem da recepção passiva para a construção ativa do conhecimento.
A pesquisa fundamenta-se em autores nacionais e internacionais das áreas de tecnologia educacional, filosofia da técnica e inovação pedagógica, com ênfase em discussões sobre letramento digital, inteligência ampliada e personalização do ensino. Argumenta-se que a IA possibilita a superação de barreiras geográficas, linguísticas e cognitivas, promovendo o acesso democrático ao conhecimento global e favorecendo a formação de sujeitos críticos e produtores de saber.
Defende-se ainda que “o livro didático é uma foto estática do passado, enquanto a Inteligência Artificial é o diálogo dinâmico que constrói o futuro sem donos da verdade”, evidenciando a ruptura com modelos centralizados de transmissão do conhecimento. A IA, nesse sentido, não substitui o educador, mas ressignifica seu papel como mediador, curador e orientador de trajetórias
formativas.
Conclui-se que a incorporação crítica da Inteligência Artificial no ensino brasileiro representa não apenas uma inovação tecnológica, mas uma transformação epistemológica profunda, capaz de redefinir os processos de ensino-aprendizagem e ampliar significativamente a autonomia discente.
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